quinta-feira, 25 de abril de 2013

Já tava escrito lá

Depois que ela foi embora eu me senti completamente perdida. Mas foi só por um minuto porque eu sou boa com isolamentos. Eu nem sabia como, e tava todo mundo olhando pra mim, mas ele parou e abriu as portas com o caminho de casa. Eu queria muito mais sobre os uranianos, mas não estava exatamente sã para ativar a minha sensibilidade aguçada de identificar a passagem do tempo. Tava demorando muito! E longe. Eu resolvi absorver mais um pouco daquelas palavras que combinavam de maneira tão eu. Meu olho fugia da borda do óculos, com os quais ainda estou me acostumando, pra ter certeza da paisagem. Muita gente fixa. Não sei se no tal óculos, no livro ou no desengonçado rabo de saia. E justo na hora que dizia que eles estavam sempre analisando situações, eu desviei o olhar pra quem entrava e criei uma história para cada uma delas. Bom humor, dia difícil. Tinha um que tava indo se divertir. Por pouco eu passo do cavalo! Mas foi mais curto do que eu imaginava porque não tinha a parte de baixo. O duro é que sempre tem uns cascões na ladeira. E eu continuei a observar analiticamente cada gesto do mundo. O mais incrível foi ter encontrado deitada aquela borboleta preta e laranja dos pensamentos de mais cedo. Ali, todinha, pra eu observar. Tirei foto pra registrar. Se você toca o coração de um aquariano ele precisa ter certeza do que ele pode ter perdido. Me baseava na felicidade de poder estar sozinha e permanecer no estado depressivo e solitário de uma música bem alta ou um filme bem legal. Ainda bem que eu tive a ideia de juntar tudo pra tentar explicar. Não raro somos mal compreendidos pela sociedade. Ainda sim destacava estar sozinha. Entrei até sorrindo.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Ida e volta

Por que será que de repente voltar pra casa não significa mais voltar pra casa? Você não pertence mais a esse lugar. A sua vida se construiu em outra lugar dentro do seu mundo, desse mundo. Novo. Nova. A gente muda tanto que se renova num equilíbrio tão perfeito que te acolhe a todos os momentos. É por isso que você fica feliz quando tava triste e que tem motivação em construir o continuar. Porque aquele feito faz parte do seu futuro. Toda essa independência depende de você e a sua liberdade é tão grande que esse buraco negro te puxa pra um espiral. E já ta tudo tão tonto que a gente se cai pelo tato, da uma cambalhota e percebe que voce ta vivo e está sendo puxado para um buraco negro todos os dias. E que mal há nisso? Se joga. Voce vai sentir uma energia tão forte que vai perceber o que realmente importa. O contato, as relações, os sentimentos e as vibrações. Quero muitos positivos em cada dia. Sozinha voce busca isso, voce controla, voce precisa. De interação, diversão e sentido. É assim que se vive, com paixão até pelos problemas. Faculdade é uma loucura.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

De mim para o outro

A ideia é só vomitar umas palavras desnorteadas que me ajudem a fazer sentido. Fugir desse antro que me aprisiona nos seus olhos e me faz querer existir só pra passar novamente momentos como esses e aqueles. Aqueles que apertam o ciume incontrolável de quem te merece agora. Ao mesmo tempo é bom saber do deslizar dos acontecimentos previamente, e lembrar de detalhes em comum. Espero que isso passe, mas é lindo o que eu sinto. O seu corpo, a sua força que prenderia a minha pele em agonizantes períodos de êxtase. É quase impossível conseguir medir as minhas palavras tão sinceras que eu queria que fossem tão bem recepcionadas pelo seu ouvido. Que te encantassem e me permitisse o toque de maior desejo. Os lábios tão rosados, o rosa. Mas passa e ainda prefiro apenas estar por perto. Antes que acabe com tudo. Deita eu te tocar mais uma vez, não?

Estrutura

Não há absolutamente nada exato para dizer. Até porque nada tem a obrigação de ser dito. E parte da crise já despenca nessas três ou quatro primeiras linhas. Escrever tem me dado um sentido de que algo vai dar certo. Mas se não há nda para dizer, escrever o que? Além do para que? E do para quem? No momento em que me vem uma história que me satura, eu precisaria explodi-la ao mundo. Mas há uma ideia que me impede. Isso precisa fazer alguma diferença. Como? Eu só me sinto imbecil por pensar nessa pureza de contos, e por pensar ainda na captação da mensagem que vá mudar o interior da podridão que hoje reina sem dó. Se nem eu creio na veracidade desses sentimentos, por que alguém teria a sensibilidade de captá-los? É essa a mudança que precisa acontecer no meu interior. Quando a ideia estiver completa, eu vou acreditar que é diferente e que é possível. O conflito bate de frente com o que eu acreditei por todo o tempo, por isso é difícil. E eu nunca imaginei que eu estivesse me esforçando tanto para confiar em mim. É isso que está me impedindo de seguir com todos os meus caminhos e as minhas vontades. Mas eu não posso deixar isso continuar a me bloquear. É uma contribuição para a evolução. Eu vou concluir muito mais forte e capaz. Aí eu espero ser boa o suficiente para estampar isso tudo aos olhos das telas de forma que o mundo sinta o progresso e cresça. Todas as relações são tão óbvias. E é disso que a gente vive. Dos sentimentos que nos atingem diante dos contatos que temos com as coisas e pessoas do mundo. Nada precisa ser fingido ou manipulado, isso atrasa tanto quem nós queremos ser. A sinceridade vai ser sempre a chave pra abrir o baú das realizações. Pensa só, se a honestidade transparece o ser, você se identifica àqueles que vão realmente fazer parte das suas relações, sem o chateamento da decepção. Fora isso, o exterior não influenciará no quanto você pode se perder. A mente vai permanecer sempre clara e aberta para a explicação e o entendimento. Acho que eu consigo considerar até a existência da podridão. Mas até ela seria tão límpida e leve que existiria por ela mesma e pelas circunstâncias impostas para que se encaixasse na veracidade do ruim. É uma completa utopia pensar na imediata mudança igualitária. Mas se eu posso contribuir de alguma maneira com as minhas ideias ilusórias para quem sabe uma explosão e o início de uma nova era para o futuro da humanidade. Eu vou me enfrentar.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

As meninas

Ela chora. Como uma criança não compreendida. Com certeza é considerada a ovelha negra da família. Emburrada. E a mão que aperta a dela como quem diz que faz a coisa certa. Sempre há essa competição. Através daquela lágrima que quase caiu. Que dor.

MASP

A cabeça já não está funcionando muito bem. O lugar é lindo. E as pessoas tão diferentes. Meu olho faz uma rápida análise de cada um a sua volta. Impressionante a diversidade e a felicidade do diferente do mundo. Detectei uma característica exótica. Uma pessoa bizarra, vista de fora. Num cruzar de olhares pesquei um desvio. Ela olhou pra baixo envergonhada. Como já dizia a minha mãe: leitura corporal. As mãos cruzadas mostram que ela não esta aberta a conhecer novas simpatias. Os ombros curvados. A barriga inclinada pra frente. Timidez. Fechada pro mundo. E sem dúvidas, problemas de auto estima. Já virou as costas e saiu andando. De mão dada com um homem. Hétero. E percebi uma reboladinha. Talvez esse seja o seu charme. Ela esta se sentindo enorme nesse momento.

Camisola

Ela se portou e disse "Olhem para os meus seios". E todo mundo olhou. Ai ela ficou envergonhada e voltou a subir as escadas com um sorriso leve no canto da boca. É porque era de seda. E aposto que nenhum deles teve a mesma resposta na mente. "É o ápice!"