segunda-feira, 19 de novembro de 2012

As meninas

Ela chora. Como uma criança não compreendida. Com certeza é considerada a ovelha negra da família. Emburrada. E a mão que aperta a dela como quem diz que faz a coisa certa. Sempre há essa competição. Através daquela lágrima que quase caiu. Que dor.

MASP

A cabeça já não está funcionando muito bem. O lugar é lindo. E as pessoas tão diferentes. Meu olho faz uma rápida análise de cada um a sua volta. Impressionante a diversidade e a felicidade do diferente do mundo. Detectei uma característica exótica. Uma pessoa bizarra, vista de fora. Num cruzar de olhares pesquei um desvio. Ela olhou pra baixo envergonhada. Como já dizia a minha mãe: leitura corporal. As mãos cruzadas mostram que ela não esta aberta a conhecer novas simpatias. Os ombros curvados. A barriga inclinada pra frente. Timidez. Fechada pro mundo. E sem dúvidas, problemas de auto estima. Já virou as costas e saiu andando. De mão dada com um homem. Hétero. E percebi uma reboladinha. Talvez esse seja o seu charme. Ela esta se sentindo enorme nesse momento.

Camisola

Ela se portou e disse "Olhem para os meus seios". E todo mundo olhou. Ai ela ficou envergonhada e voltou a subir as escadas com um sorriso leve no canto da boca. É porque era de seda. E aposto que nenhum deles teve a mesma resposta na mente. "É o ápice!"

Alarme Mensal

Por qualquer ângulo, se verá sempre o vazio deixado. Um buraco que só se fecha com a medida exata, insubstituível. Por dias muda sua profundidade. De tão raso confunde o esquecimento. E de fundo corrói a ferida mais dolorida. As lágrimas que caem ardem como gotas de álcool no machucado. Queima. Flameja. E esse ardor possui tal sensibilidade que impede o sorriso no pior dos dias. Arquejo pela sua presença, e cada célula minha grita pra ter você novamente. Há necessidade de você, de te possuir, te agarrar. Basta esperar passar. Mas é impossível não lembrar que você perceberia, e que é o único possível de me curar desse trauma. Anseio pelo toque, algum dia a gente vai se possuir novamente. A energia é clara e intensa pelos movimentos que demonstram o desejo de nos amar e nos compartilhar como seres. E isso vai muito além da imbecilidade. não é algo que a maternidade controle, apenas a universalidade espiritual se responsabiliza por esse destino. E é o que acalma aqueles músculos que se contraem na sua presença. O desespero permanece, de ser ignorante o suficiente pra não se libertar em breve. O tempo que durar. Menos o que não durou. Mais dois. Ou mais. Só preciso acreditar na certeza de que você voltará em algum instante.

Jogatina

Não adianta. Não adianta você me puxar. Me sugar pra dentro da sua mais profunda insanidade. Eu quase caio. O dedinho nem encosta mais na borda. O medo é de cair nesse abismo e me afogar nos meus sentimentos. Não vai dar pra evitar, mas eu permaneço. Você não imagina a quantidade de coisas que você mudou dentro de mim. Eu sei que esse momento foi uma passagem de amadurecimento necessário. Extremamente. Não foi fácil, não é fácil. Pensar que eu tenho que crescer. Deixe essa menina adormecida. E saiba acordá-la quando for preciso. Arrase. Foi importante. Não era apenas uma grande capacidade elástica. Foi produzido com substancias químicas e tóxicas que nos deixam dependentes. Será isso? Uma dependência do ser? Se for, não deveria. A insustentável leveza do ser tem que ser praticada e independente. E é por esses e outros calcários que eu analiso e entendo, e você sabe. Mas dói, e eu sempre quero dizer mais do que eu disse, menos do que eu penso.