segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Conforto

Era isso que você me passava. Que eu sentia quando tinha o seu cheiro invadindo os meus pensamentos. Não é que eu quisesse apenas viver pra você. Mas eu também queria. Porque eu sabia que você me conhecia como eu realmente era, e seria sempre perfeito pra me entender em qualquer situação. A gente cresceu junto. Não por ter passado a nossa vida inteira nos acompanhando, mas pela intensidade com que a nossa relação tinha. Não havia eu sem você. Nem você sem mim. É entendível? Pra mim parece óbvio. Você, perto de mim, sempre. Não parecia ser muito e mesmo assim aquilo me consumia e me corria todos os minutos dos meus dias. Como se fosse uma obrigação que eu tinha que cumprir - fazer de tudo sem pensar em mim mesma pra impedir que você me deixasse, de novo. Não que da primeira vez tenha sido fácil. Mas eu tinha mais certeza que, por mais que você seja um babaca, você voltaria. Óbvio que eu também não tinha noção da dimensão da real importância que você tinha pra mim. Eu nunca vou guardar rancor nenhum de você. Na minha visão enlouquecida e distorcida que quer apaziguar a minha mente com o meu coração, você me fez o maior bem que alguém já poderia ter feito. Eu tinha 15 anos, vivia um drama e só não entendia que as coisas não se resumiam a você. Mas você me entendia. Eu precisava ter entendido que você tinha que me amar pelo que eu era. Mas você me amava. Foi um choque. E provavelmente eu faria tudo outra vez. Passaria por tudo que eu passei. Talvez valha a pena pelos momentos anteriores. Só não venha com esse homem pra cima de mim. Você se tornou uma pessoa completamente exteriorizada. É horrível não saber o que você sente. Preciso encontrar aquele menino de novo dentro de você, e me acalmar.

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